LUTO IRMÃ JUDITH HOLDER MORRE AOS 101 ANOS

Judite-Holder

Morreu durante essa madrugada de sexta-feira 03/07/2015, a irmã Judith Holder, mãe do Pastor Joel Holder presidente da Igreja evangélica Assembleia de Deus em Porto Velho-RO. Judith uma coluna da Igreja Ev. Assembleia de Deus tinha 101 anos de vida, e sofria de alguns problemas de saúde, estava internada na UTI, do Hospital 9 de Julho na capital. Ela deixa quatro filhos, Pr. Joel Holder, missionaria Dayse Holder, Wilson Holder e Gertrudes, deixa sete netos.

O velório acontece as 13h desta sexta-feira no Templo Central da Igreja Assembleia de Deus em Porto Velho, localizado na rua José de Alencar, 3286, entre Av. Pinheiro Machado e Duque de Caxias. O enterro será as 10h do sábado (4)

 

Conheça a sua História….

Começou a dar aula na escola bíblica dominical em 1935, e deixou de dar aula na década de 90. Filha única de Sidney e Beatriz Holder, Judith veio da Ilha de Barbados, desembarcando em Belém (PA). Em Porto Velho, chegou na época da construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, morou em localidades por onde passavam os trilhos, de Jaci-Paraná até Abunã. Irmã Judith Holder morou num dos bairros mais tradicionais da capital, o Bairro do Triângulo. Em 1969 perdeu seu marido Perci, que morreu aos 56 anos. Foi diretora no Carmela Dutra, na Escola Duque de Caxias e no Castelo Branco, se aposentou em 1977.

ESCREVENDO UMA HISTÓRIA DE CEM ANOS!

Viver por um século é um marco que muitas pessoas não atingem e que deve ser honrado e celebrado!

Sentada no sofá de sua casa, sorriso nos lábios e com um brilho bondoso nos olhos, Judith Holder, narra com propriedade seus longos e bem vividos cem anos; começa nas origens intercalando com a vida familiar e espiritual.

Sua mãe, Beatrice Jemmont, nascida na Ilha de Barbados, na América Central, em 1911, chegou a Belém do Pará a convite de uma prima. A prima falecera, Beatrice então viaja até a cidade de Porto Velho, buscando a oportunidade de uma vida próspera, já que naquele momento acontecia a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré.

A princípio trabalhava lavando roupas para os operários da estrada de ferro e vivia nos barracões construídos para os mesmos. Misturada em um contexto de tradições e culturas diferentes, ouvia frequentemente ingleses, americanos, italianos e barbadianos; cada qual com sua exigência, porém, no quesito roupa, Beatrice entendia muito bem!

Certo dia, Beatrice conhece um professor de inglês, Sidney Morris, também barbadiano, e no dia 14 de dezembro de 1913, dessa união, nasce Judith Holder.

A falta de acesso a cartórios e informações da importância de um registro, a criança, tem sua infância marcada e sofrida por não ter nome. Em função disso, passou a ser chamada de Ecita, apelido que ganhou de uma vizinha. Em condições antagônicas, mais tarde, veio o nome Judith Holder.

Por não ter constituído laços matrimoniais com Sidney, em 1916 Beatrice casa-se com o trabalhador braçal da Madeira Mamoré, Herbet Fitzalen Chase.

Atraído por uma nova oportunidade de emprego Herbet (também conhecido como Jack) muda-se com a família para Guajará-Mirim, onde iria trabalhar como porta-fios na instalação das linhas telegráficas.
Assim, começa a vida nômade da menina Ecita.

Aos sete anos de idade começa no Jardim de Infância, era notória sua atração pelos livros. Seu Jack mais uma vez, recebe um convite que lhe atraía e não resiste, mais uma vez arrumam as malas, e a família foi para Fortaleza-CE.
Ecita, encantada com o mar (morava defronte) se deslumbra pela primeira vez a frente do oceano.

Enquanto o pai Jack trabalhava em um canteiro de obras, a mãe Beatrice para ajudar nas despesas de casa, labutava como doméstica na residência de trabalhadores Americanos, cujas esposas não falavam português.

Em 1923, a família sai de Fortaleza com destino a Argentina, porém, nunca chegaram ao destino, pois no Rio de Janeiro souberam que os portos haviam sidos fechados e que não mais existia a necessidade de trabalhadores para a referida obra na qual iriam realizar. Ficaram no Rio de Janeiro por seis meses.

Posteriormente, decidiram ir para Belém no Pará, logo, partiram para Manaus, então, Ecita retorna ao colégio, quando quase logra terminar a terceira série do primário; os estudos são descontinuados mais uma vez, desta feita, para retornarem a cidade de origem, Porto Velho.

Em busca de dias melhores, a família ainda teve passagens por alguns povoados do estado de Rondônia. Na Vila do Iata, Ecita, como era chamada, já crescida, se torna professora auxiliar e começa a alfabetizar crianças. O trabalho exigiu documentos. E, para sua realização, foi registrada ganhando o belo nome de Judith Holder.
Era verão de 1934, especificamente no dia 21 de julho, Judith casa-se com Percy Holder (Trabalhador da Estrada Ferro), relação na qual foi premiada com 05 filhos, sendo eles:Josué, Wilson, Gertrudes, Joel e Daisy.

O nascimento de Josué foi um marco na vida espiritual de Judith, as dores de parto que começaram no dia 20 de maio de 1935 pela madrugada findaram somente com o nascimento do menino no dia 21 às 13 horas. Porém, após o parto as dores deram continuidade, e as horas se tornaram intermináveis para Judith Holder. Ao recordar das palavras proferidas pela mãe em inglês, “calvary Tree”, em português, “árvore do calvário”; naquele instante, a jovem mãe prometeu ao Senhor que se Ele restaurasse sua saúde, lhe serviria todos os dias de sua vida!
As dores diminuíram, e logo, foi completamente curada!

Na pequena vila do Iata, em uma tarde sozinha em casa, Josué adoeceu os remédios não resolveram, e para sua tristeza ela vê falecer em seus braços o seu pequenino Josué, com apenas cinco meses de idade.

Deus se manifesta através de uma senhora barbadiana, que lhe amparou naquele momento tão doloroso e ajudou-a nos procedimentos a serem tomados com a morte do bebê.
Com o coração pesaroso, angustiada, Judith recordava o pacto que havia feito com o Senhor, de aceita-lo como Salvador de sua vida.
Certo domingo do mês de agosto de 1935, animada, Judith caminha para o templo da Assembleia de Deus. Naquele culto inesquecível para a jovem mãe, enquanto o pastor Marcelino pregava, o Espírito Santo de Deus se manifestou, tocando-a profundamente, e, durante o apelo não resistiu; trêmula caminhou em direção ao púlpito, cumprindo assim seu pacto com Cristo, entregou sua vida aos cuidados do Pai celestial.
No mesmo ano, dia 15 de dezembro, Judith Holder foi batizada nas águas. A partir de então, começa a saga como professora da Escola Bíblica Dominical, não era fácil, pois as lições eram semestrais e as revistas demoravam meses até chegar a cidade. A maior base para o ensino vinha mesmo da Bíblia e Judith se dedicava a ela com afinco.

Evangelizar nas ruas passou a ser o seu melhor momento. Sem perder vigílias e os cultos, crescia na graça e no conhecimento.

Em 1936, deu á luz a Wilson Lifina Holder, logo em 1938, nasce a primeira menina, Gertrudes Lifina Holder. Em 1942, a família ganhou mais um membro, Joel Holder e na sequência, precisamente com dois anos após, nasce Daisy Miuriel Holder.

Após o nascimento da filha caçula, seu cônjuge saiu de casa, deixando-a com as crianças, entretanto, os pequeninos eram dia-a-dia orientados por essa grandiosa mulher, que contou a princípio com a ajuda dos pais (Beatrice e Jack) para sustentá-los.

Durante a tempestade algumas vezes Deus acalmava o mar, outras Ele acalmava a marinheira e outras vezes Ele a fazia nadar, foi então que abriu as portas e Judith Holder começou a laborar como professora nas Escolas Barões do Solimões e em seguida, Samaritano.
Agora, dava prioridade aos estudos dos filhos, pois sentia a responsabilidade de educá-los.

Quando fala sobre os mesmos, os olhos brilham demonstrando a alegria que sai de sua alma e diz: – “Dou graças ao nosso Deus pelos filhos que ele me deu. Cria-los nos caminhos do Senhor é uma vitória”.

Sorridente, balança a cabeça e diz: Você sabia que Daisy sempre foi muito inteligente, estudiosa e carinhosa? Um dia um professor de matemática queria reprová-la e deu 0 para ela (risos)? Más… Nunca conseguiram reprova-la, Deus é fiel, como diz o versículo: Se Deus é por nós, quem será contra nós?

Falando do filho Joel Holder, pastor da Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Porto Velho, diz que ele sempre foi muito calmo e obediente e tem lhe honrado. A mesma sente-se privilegiada por pertencer ao rebanho que seu filho pastoreia.

Quando o assunto é Gertrudes, sem perca de tempo Judith discorre: “É uma companheira e amiga. Em todos os momentos ela cuida de mim, seja na saúde ou na doença, nunca me abandonou! É muito certinha, nunca me envergonhou”!

Na continuidade fala: O mais velho (Wilson), já se batizou velho (risos)… Mais se batizou! Gostava muito de jogar bola, entretanto, sempre foi carinhoso, menino bom! Meus filhos nunca estiveram envolvidos com bebidas alcoólicas e drogas, Posso dizer até aqui nos ajudou o Senhor.
Afirma que a luta não foi fácil, mas, hoje tem dois filhos pastores, uma filha professora e uma missionária e médica.

Sempre com sorriso nos lábios, o rosto um pouco cansado, mais radiante, Judith Holder não mede esforços quando se trata dos afazeres espirituais; já foi tesoureira da Igreja de 1950 a 1975, professora da Escola Bíblica Dominical seção Juventude de 1935 a 1990, é tesoureira da UBAA – União Beneficente Ação de Amor e faz alguns anos que atua como professora da Maturidade Cristã IV.
Como uma das fiéis e mais antiga da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, diz: O objetivo principal da Igreja sempre foi levar uma palavra de Esperança para o coração necessitado e tudo com simplicidade, assim como Jesus nos ensinou.

Hoje, com 100 anos, tem 07 netos, 05 bisnetos e um tataraneto. Mais que qualquer outro na história da igreja de Porto Velho, educou muitas vidas na Escola Bíblica Dominical, e, entre as honrarias que carrega tem a de corista mais antiga do Coral Harmonia Santa. A mente cansada, muitas vezes chega a esquecer, mas, jamais se esquece do Senhor Jesus e que a sua fé esta guardada e firmada em Deus.

Acrescenta que durante sua caminhada de fé foi curada muitas vezes de doenças, pelo poder de Deus. “Sabe, tem pessoas que dizem: A minha dor de cabeça”… “Então, ela não vai sair nunca, porque é sua”, diz Judith.

E quando lhe perguntamos sobre sua memória e sua visão, reponde: Sempre gostei de ler muito, ocupava-me nos livros e também trabalhava noite e dia bordando, sem luz elétrica! Quando ia aos médicos diziam: Sua vista está muito boa!

“Certo dia deu carne crescida na minha vista, porém, Deus me animou, fiz uma cirurgia e foi retirada, fiquei boazinha novamente”! “Leio a Bíblia e ainda enfio a linha no fundo da agulha”!
“Eu não mereço mais meus filhos podem dizer: Nunca vi minha mãe dizer um palavrão”! “Deus é fiel e honra aos que lhe honram”. Pontua, Judith Holder.

A aniversariante de cem anos, não perde a oportunidade e deixa um conselho aos mais jovens:
Busquem a presença de Deus, porque a devassidão e a sensualidade têm atingido esta geração; a Palavra de Deus sempre é o remédio e a bússola para guiar e despertar.

Para Judith os melhores momentos dos cem anos são: Nascimento dos seus filhos, o momento em que aceitou a Jesus… E o melhor de todos, é sentir a presença e proteção de Deus todos os dias.

Os piores momentos dos cem anos são: As dificuldades que passou, principalmente quando seu esposo lhe abandonou. Ela diz: “Lembro-me um dia em que estava em sala de aula… chegou um padre e me perguntou se eu dava permissão para o meu esposo casar com a outra! Respondi: Eu me admiro o Senhor que se diz ser o representante de Deus na terra, querer casar o meu marido com outra mulher! Fui firme! Não, não dou permissão”!
“Mesmo assim, ele casou com a outra, más… Deus consola”!

Judith Holder finaliza: “Sou filha bastarda e minha mãe me ajudou muito a criar meus filhos. De um ser que não teve nome, Deus deu frutos de honra (pastores, professora e missionária). Sem merecer, nunca me faltou o pão de cada dia, trabalho e benções. Agradeço e louvo muito a Deus, pela sua misericórdia em minha vida”!

FONTE: RONDOCRISTÃO

Tagged : , , ,

Posted In : Destaques

Deixe uma resposta

  • Required